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Roberto Jefferson é um crápula e defendê-lo é inconcebível


Vejo, não é de hoje, muita gente passando pano para Roberto Jefferson sob a alegação de que ele denunciou o esquema do Mensalão e, supostamente, teria se arrependido de seus atos. Isso tem muito a ver com algo que já disse algumas vezes por aqui, de que o brasileiro tem uma tolerância excessiva com a classe política, uma tolerância que não teria nem com membros da própria família. Mas neste caso é mais do que isso: trata-se de uma crença absolutamente infundada na decência de alguém que jamais foi decente.

Assim como muita gente não conhece a história de Jair Bolsonaro antes de 2011 e crê em um personagem anticomunista, anticorrupção e honesto que jamais existiu, acredito que muitos também não conheçam a história de Bob Jeff antes de 2005 e do escândalo do Mensalão.

O PTB, partido de nosso amigo Bob Jeff, trata-se de uma entre várias legendas brasileiras de médio porte que sempre coadunam com os grandes partidos que estão no poder. Bob, por sua vez, sempre foi um governista convicto, independente de quem estivesse governando. Pelo menos desde Fernando Collor o mais novo amiguinho de Bolsonaro sempre fez questão de defender ferrenhamente os presidentes em exercício, o que inclui até mesmo Itamar Franco, vice de Collor que assumiu em seu lugar.

Bob foi da base governista de FHC, mas também apoiou a candidatura de Ciro Gomes em 2002. Logo depois, em 2003, entrou na base do governo Lula, onde ficou até o escândalo do Mensalão. Mas neste percurso até o Mensalão Bob Jeff esteve envolvido em alguns escândalos menores, dentre eles o dos Correios, quando foi até afastado da presidência do PTB.

Uma coisa bastante comum no comportamento de Bob é sua convicção. Não importa o que saia de sua boca, sempre será dito com um ar convicto e aparentemente verdadeiro, como se ele realmente acreditasse no que diz, como se de fato se importasse. Suas atuais declarações em defesa de Bolsonaro são tão contundentes quanto as declarações que fazia em apoio a Lula, Collor, Temer ou FHC. Talvez este seja seu maior talento até hoje: finge que acredita no que diz e faz os bobos acreditarem de verdade.
No entanto algo precisa ficar muito claro sobre o escândalo do Mensalão: Bob Jeff estava envolvido nele até o pescoço. Muitas pessoas acreditam numa versão fantasiosa de que o então deputado teria decidido sair por aí denunciando os crimes do PT, mas não foi bem assim que aconteceu. A realidade é que já havia uma investigação em andamento naquela época, e a única razão verdadeira para Roberto Jefferson denunciar o esquema foi o fato de ter sido passado para trás pelos seus comparsas. No entanto ele recebeu propina diretamente, fez parte do crime de maneira totalmente consciente e foi condenado pelo STF no mesmo processo que condenou Zé Dirceu e muitos outros, em 2012, por corrupção e lavagem de dinheiro.

Vale dizer que Jefferson nem chegou a cumprir toda sua pena. A condenação, que deveria ter sido de 10 anos, acabou caindo para 7, dos quais ele cumpriu menos de 3, uma vez que em maio de 2015 recebeu liberação para cumprir o restante da pena em regime aberto. Em 2016, com base em um indulto natalino concedido por Dilma Rousseff, encerrou o cumprimento da pena e "quitou" sua dívida com a justiça.

O excelentíssimo senhor Bob Jeff, apesar de não ocupar mais nenhum cargo político - em parte porque foi cassado, mas também porque seu apoio popular diminuiu bastante depois de descobrirem que ele vendeu seu partido ao PT - tentou aproximar o PTB do governo Dilma e conseguiu. Na realidade seu partido fez parte da base aliada de Dilma até o ano de 2015, quando finalmente percebeu que a casa ia cair e resolveu pular fora do barco. Nesta época a legenda era comandada por sua filha, Cristiane Brasil, que conseguiu inclusive um ministério para Armando Monteiro na pasta de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

Já em 2016, após o impeachment de Dilma, Jefferson passou a apoiar Michel Temer e tentou colocar sua filha como Ministra do Trabalho, o que só não aconteceu porque o STF não autorizou. O motivo? Ela possui condenações diversas na Justiça do Trabalho, o que contraria no mínimo alguns princípios constitucionais básicos. Sobre este episódio, a propósito, fui "cobrado" na época em que trabalhava no Jornalivre porque o pessoal do MBL "preferia que eu não atacasse Cristiane". Eles, que na ocasião tentavam entrar no governo Temer, acharam aceitável não criticar Roberto Jefferson e sua filha picareta. Obviamente eu não dei bola para nada disso e fiz o que queria fazer, motivo pelo qual ficaram emburrados comigo (não que eu me importe).

É importante, contudo, ressaltar o seguinte: tudo isso que está posto aqui é apenas um resumo muito superficial da longa carreira de oportunismo de Bob Jeff. Falei, por exemplo, de sua participação em diversos governos, todos eles diferentes entre si. Falei que o mesmo Bob que delatou o Mensalão se aliou a Dilma Rousseff anos depois. Falei também sobre o fato de ele ter apoiado Collor e Itamar da mesma forma que apoiou Dilma e depois Temer. Mas há muito mais coisas no meio do caminho. Bob é um sujeito safo, tem muitas faces. Nas eleições de 2010, por exemplo, seu partido era parte da coligação de José Serra. Em 2014 esteve na coligação de Aécio. Em 2018 na coligação de Geraldo Alckmin.

Antes, muito antes de tudo isso, ainda na década de 80, Bob era apresentador de TV em um programa da antiga TVS, hoje SBT. "O Povo na TV" era um daqueles típicos programas sensacionalistas e popularescos que exploram sem nenhuma vergonha a boa fé de pessoas humildes. Ele apresentava este programa ao lado de figuras como Sérgio Mallandro, Christina Rocha (sim, aquela do "Casos de Família") e Mara Maravilha. Esta informação pode parecer um pouco chocante e improvável, mas basta fazer uma rápida pesquisa para descobrir que ainda pode piorar.

No dia 14 de dezembro de 1982 o programa exibiu ao vivo um bebê de 9 meses com um tumor no olho. O caso do bebê era grave e sua mãe, segundo consta, não tinha conseguido atendimento médico no setor público. Essa era a finalidade do programa, aliás: mostrar casos de pessoas pobres, muitas vezes miseráveis, que eram abandonadas pelo Estado. Só que em se tratando de programas da TV brasileira há de se presumir o óbvio. O bebê não recebeu, é claro, nenhum tipo de auxílio por parte da produção, tampouco por parte de Bob Jeff. Na realidade o caso do bebê, como qualquer outro que era apresentado ao público, servia tão somente para gerar indignação popular e audiência. Só que a criança morreu, neste mesmo dia, dentro dos estúdios da TVS. É mole?

Ao que tudo indica Roberto Jefferson vem enganando o povo há muito tempo. Antes da TV, hoje no Twitter. Ele é viciado nisso. Mas todo esse histórico prova, de todas as formas possíveis, que não se trata apenas de um político mentiroso comum, trata-se de um sociopata oportunista que agora apoia o governo Bolsonaro pelas mesmas razões que apoiou todos os outros governos: dinheiro, cargos, influência.





















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